SÉRIE 180 QUESTÕES COMENTADAS DE PSICOLOGIA

QUESTÃO 102. (IAMSPE – HSPE/2012) Durante a realização de sessões de ludoterapia, Aberastury (A psicanálise da criança, 1982, p. 99) destaca que são frequentes as tentativas de algumas crianças para incorporarem ao material de suas caixas lúdicas, algum objeto que trazem de suas casas. Para a autora, as crianças que reagem assim

 

(A) negam as indicações do terapeuta, apresentadas durante o estabelecimento do contrato, sobre a impossibilidade de trazer objetos pessoais para a sessão analítica.

(B) demonstram sentimentos de rejeição em relação à figura do terapeuta, que se deslocam para os materiais da caixa lúdica.

(C) indicam um ataque aos seus recursos internos, uma vez que não utilizam os materiais lúdicos a elas oferecidos pelo terapeuta.

(D) costumam viver em grande desamparo e satisfazem, desse modo, sua necessidade de transformar o consultório em seu lar.

(E) informam ao terapeuta, de maneira inconsciente, que a situação que vivencia no lar, fora do ambiente analítico, é satisfatória.

COMENTÁRIO

Ludoterapia é a técnica psicoterápica de abordagem infantil que se baseia no fato de que brincar é um meio natural de autoexpressão da criança.

 

O objetivo da Ludoterapia é ajudar a criança a expressar, com maior facilidade, seus conflitos e dificuldades através dos simbolismos presentes no ato de brincar.

 

Por meio de desenhos, atividades projetivas, jogos, modelagem e outros recursos lúdicos, a criança representa seus mundos internos, que inclui as situações que mais a angustiam.

 

O terapeuta investiga e busca compreender a origem dessas representações e atua também em linguagem lúdica, de modo a esclarecer e tratar o conflito.

 

Brincando com a criança, o terapeuta é capaz de ajudá-la a superar os obstáculos que a impedem de integrar-se e adaptar-se adequadamente ao seu meio familiar e social mais amplo.

O brinquedo é a via de projeção das fantasias, facilitando a elaboração das situações traumáticas. O material usado no consultório (refere Sarnoff, 1995), deve levar em conta a idade do paciente, as técnicas que ele dispõe para a criança poder expressar conflitos e conceitos quando fracassam as palavras. Isso também se aplica ao material que é usado na caixa individual.

 

Aberastury (1982) fala que o material padrão para uma criança é composto por cubos, massa de modelar, barbante, carros, copinhos, pratinhos, talheres, apontador, lápis, papel, lápis de cor, borracha, cola, alguns bonecos pequenos. Sempre que pode inclui-se na caixa algum material que os pais disseram que a criança gosta.

 

Segundo Reghelin (2008), sempre se deve dizer à criança que a caixa será de uso único e exclusivo dela, que sempre que ela vier no horário agendado para atendimento a caixa estará ali, que ninguém mexerá na caixa enquanto ela estiver ausente, que aquele material fica ali na sala não podendo ser levado para casa, que tudo que produzir ficará ali guardado na caixa e, principalmente, que eles não estão ali para brincar, mas para trabalhar juntos, bem como o fato de que as coisas que eles falarem ali ficarão entre ele e o analista.

 

Às vezes a criança solicita levar algum material da caixa individual para casa; nestes casos o analista deve investigar o que a motiva a querer levar este objeto, pois simplesmente deixá-la levá-lo, sem nenhuma interpretação ou explicação, significa desqualificar o trabalho produzido (Reghelim, 2008).

 

Em alguns casos as crianças trazem um brinquedo de casa, como se quisessem mostrar algum momento familiar; algumas deixam por algum tempo na caixa chegando a incorporar o material (Reghelim, 2008). Segundo Aberastury (2008), as crianças que frequentemente tentam incorporar seus brinquedos à caixa lúdica são aquelas que vivem em grande desamparo e, desse modo, satisfazem sua necessidade de transformar o consultório em seu lar.

 

GABARITO: (D) costumam viver em grande desamparo e satisfazem, desse modo, sua necessidade de transformar o consultório em seu lar.

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