SÉRIE 180 QUESTÕES COMENTADAS DE PSICOLOGIA

QUESTÃO 104. (Prefeitura Municipal de Cuiabá / 2013) A terapia cognitiva tem como premissa a seguinte frase:

 

(A) O que perturba as pessoas são as coisas em si, e não as suas concepções em relação a elas.

(B) Na distração ou refocalização, o terapeuta ensina o paciente a retornar a atenção na própria respiração.

(C) As intervenções são planejadas independentemente da extensão do problema e de sua validade social.

(D) A maneira como as pessoas interpretam suas experiências determina como sentem e se comportam.

(E) Para ser eficaz, a própria técnica de intervenção deve ser reforçadora para o paciente.

COMENTÁRIO

Nesta questão a banca solicita ao candidato que identifique a alternativa que traz a premissa da abordagem cognitiva. Você precisa ter clareza de que a premissa e um pressuposto que irá nortear a teoria. Neste caso, todas as alternativas que não apresentem premissas/pressupostos devem ser excluídas. Inicialmente podemos eliminar as seguintes alternativas:

 

(A) O que perturba as pessoas são as coisas em si, e não as suas concepções em relação a elas.

(B) Na distração ou refocalização, o terapeuta ensina o paciente a retornar a atenção na própria respiração.

(C) As intervenções são planejadas independentemente da extensão do problema e de sua validade social.

(D) A maneira como as pessoas interpretam suas experiências determina como sentem e se comportam.

(E) Para ser eficaz, a própria técnica de intervenção deve ser reforçadora para o paciente.

Segundo Beck & Alford (2000) a teoria cognitiva pode ser sumarizada em 10 axiomas ou Postulados Formais:

 

  1. O principal caminho do funcionamento ou da adaptação psicológica consiste em estruturas de cognição com significado, denominadas esquemas. "Significado" refere-se à interpretação da pessoa sobre um determinado contexto e da relação daquele contexto com o self.

 

2. A função da atribuição de significado (tanto a nível automático como deliberativo) é controlar os vários sistemas psicológicos (p.ex., comportamental, emocional, atenção e memória). Portanto, o significado ativa estratégias para adaptação.

 

3. As influências entre sistemas cognitivos e outros sistemas são interativas.

 

4. Cada categoria de significado tem implicações que são traduzidas em padrões específicos de emoção, atenção, memória e comportamento. Isto é denominado especificidade do conteúdo cognitivo.

 

5. Embora os significados sejam construídos pela pessoa, em vez de serem componentes preexistentes da realidade, eles são corretos ou incorretos em relação a um determinado contexto ou objetivo.

 

Quando ocorre distorção cognitiva ou preconcepção, os significados são disfuncionais ou mal adaptativos (em termos de ativação de sistemas).
As distorções cognitivas incluem erros no conteúdo cognitivo (significado), no processamento cognitivo (elaboração de significado), ou ambos.

 

6. Os indivíduos são predispostos a fazer construções cognitivas, falhas específicas (distorções cognitivas). Estas predisposições a distorções específicas são denominadas vulnerabilidades cognitivas.

 

As vulnerabilidades cognitivas específicas predispõem as pessoas a síndromes específicas; especificidade cognitiva e vulnerabilidade cognitiva estão inter-relacionadas.

 

7. A psicopatologia resulta de significados mal adaptativos, construídos em relação ao self, ao contexto ambiental (experiência) e ao futuro (objetivos), que juntos são denominados de tríade cognitiva.

 

Cada síndrome clínica tem significados mal adaptativos característicos, associados com os componentes da tríade cognitiva. Todos os três componentes são interpretados negativamente na depressão.


Na ansiedade, o self é visto como inadequado (devido a recursos deficientes), o contexto é considerado perigoso, e o futuro parece incerto.

 

Na raiva e nos transtornos paranoides, o self é visto como sendo maltratado ou abusado pelos outros, e o mundo é visto como injusto e em oposição aos interesses da pessoa.

 

A especificidade do conteúdo cognitivo está relacionada desta maneira à tríade cognitiva.

 

8. Há dois níveis de significado:

 

a. O significado público ou objetivo de um evento, que pode ter poucas implicações significativas para um indivíduo;

b. O significado pessoal ou privado. O significado pessoal, ao contrário do significado público, inclui implicações, significação, ou generalizações extraídas da ocorrência do evento.

 

O nível de significado pessoal corresponde ao conceito de "domínio pessoal".

 

9. Há três níveis de cognição:

 

  1. O pré-consciente, o não intencional, o automático (pensamentos automáticos);

  2. O nível consciente;

  3. O nível meta-cognitivo, que inclui respostas "realísticas" ou "racionais" (adaptativas).

 

As cognições têm funções úteis, mas os níveis conscientes são de interesse primordial para a melhora clínica em psicoterapia.

 

10.  Os esquemas evoluem para facilitar a adaptação da pessoa ao ambiente, e são neste sentido estruturas telenômicas. Portanto, um determinado estado psicológico (constituído pela ativação de sistemas) não é nem adaptativo nem mal adaptativo em si, depende do ambiente social e físico mais amplo no qual a pessoa está inserida.

 

Conforme vimos desde o primeiro axioma apresentado por Beck e Alfrod, um dos conceitos centrais da abordagem cognitiva é o de esquema. Vamos revisar este conceito?

 

Esquemas são estruturas cognitivas que permitem a formação de significados, ou seja, matrizes ou regras fundamentais para o processamento de informações, os quais começam a ser desenvolvidos desde cedo e que nos auxiliam a interpretar e explicar o mundo (Clark, Beck e Alford, 1999; Wright, Beck e Thase, 2003).

 

Os esquemas são os núcleos iniciais e servem como modelo de processamento das experiências posteriores, conduzindo o modo como a realidade é percebida e formando a identidade.

 

Todas as pessoas têm uma mistura de esquemas adaptativos (saudáveis) e crenças nucleares desadaptativas. O objetivo da TCC é identificar e desenvolver os esquemas adaptativos e, ao mesmo tempo, tentar modificar ou reduzir a influência dos esquemas desadaptativos.

 

Após esta revisão, vamos retornar à análise das alternativas restantes:

 

(A) O que perturba as pessoas são as coisas em si, e não as suas concepções em relação a elas.

 

ERRADA – Conforme vimos, na abordagem cognitiva nossas concepções sobre pessoas e situações norteiam o modo como agimos.

 

(D) A maneira como as pessoas interpretam suas experiências determina como sentem e se comportam.

 

CORRETA – Esta é a premissa que norteia todo o referencial teórico e prático da terapia cognitiva.

 

GABARITO: (D) A maneira como as pessoas interpretam suas experiências determina como sentem e se comportam.

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