SÉRIE 180 QUESTÕES COMENTADAS DE PSICOLOGIA

QUESTÃO 105. (Prefeitura Municipal de Álvares Florence / 2011) O grupo operativo configura-se como um modo de intervenção, organização e resolução de problemas grupais, baseado em uma teoria consistente, desenvolvida por Pichon-Rivière e conhecida como:

 

(A) Teoria do Vínculo.

(B) Teoria do grupo analise.

(C) Teoria dos dois fatores grupais.

(D) Teoria grupo-sujeito.

COMENTÁRIO

Zimerman e Osório (2001) classificam os grupos, quanto à finalidade, em dois tipos: operativos e psicoterápicos. A fim de solucionarmos esta questão, revisaremos a caracterização dos grupos operativos na perspectiva pichoniana.

 

A sistematização dos grupos operativos foi realizada por Pichon Riviére, que definiu grupo operativo como  um conjunto restrito de pessoas, que, ligadas por constantes de tempo e espaço e articuladas por suas mútuas representações internas, propõem-se, em forma explícita ou implícita, a uma tarefa que constitui sua finalidade (Pichon, 1988 apud Cabello, 2012).

 

Os grupos operativos utilizam a dialética de ensinar-aprender, possibilitando uma interação entre as pessoas, em um contexto em que ao mesmo tempo em que aprendem, ensinam também, seja por seus conhecimentos como por suas experiências (Dias & Castro, 2006).

Os grupos operativos abrangem quatro campos (Zimerman, 1997):

 

  • Ensino-aprendizagem: cuja tarefa essencial é o espaço para refletir sobre temas e discutir questões

 

  • Institucionais: grupos formados em escolas, igrejas, sindicatos, promovendo reuniões com vistas ao debate sobre questões de seus interesses.

 

  • Comunitários: utilizados em programas voltados para a Promoção da Saúde, onde profissionais são treinados para a tarefa de integração e incentivo a capacidades positivas.

 

  • Terapêuticos: objetiva a melhoria da situação patológica dos indivíduos, tanto a nível físico quanto psicológico, são os grupos de autoajuda, Alcoólicos Anônimos, etc.

 

Pichon define como princípios organizadores de um grupo operativo o Vínculo e a Tarefa (Dias & Castro, 2006):

 

VÍNCULO

 

 O vínculo é um processo motivado que tem direção e sentido; isto é, tem um porquê e um para quê. Identificamos se o vínculo foi estabelecido, quando ocorre uma mútua representação interna.

 

Cada pessoa se relaciona de acordo com seus modelos iniciais de vinculação e suas matrizes de aprendizagem, e tende a aplicar esses modelos em outras situações, sem considerar a realidade externa, repetindo padrões estereotipados, resistindo às mudanças.

 

TAREFA

 

Tarefa é um conceito dinâmico que diz respeito ao modo como cada integrante do grupo interage a partir de suas próprias necessidades. Pichon-Rivière considera que essas necessidades constituem-se em um polo norteador da conduta para cada indivíduo.

A tarefa grupal consiste no processo de compartilhar necessidades em torno de objetivos comuns. Nesse processo emergem obstáculos de várias naturezas: diferenças e necessidades pessoais e transferenciais, diferenças de conceitos e marcos referenciais e do conhecimento formal propriamente dito.

 

Um grupo operativo pressupõe aprendizagem. Aprender na ótica pichoniana é sinônimo de mudança. Em toda situação de mudança são mobilizados dois medos básicos: (1) Da perda: Medo de perder o já estabelecido, o já conquistado e conhecido; (2) Do ataque: Medo de como ficarei numa situação não conhecida, como darei conta do que está por vir.

 

É natural que um grupo apresente resistência a entrar em um processo de aprendizagem, pois esta situação conduzirá às mudanças. O processo de elaboração dessa resistência, gerado pelos medos básicos, indica que o grupo está a caminho do projeto. A esse fenômeno dá-se o nome de pré-tarefa.

 

Quando o grupo aprende a problematizar, verdadeiramente, os obstáculos que emergem na concretização de seus objetivos, dizemos que entrou em tarefa, pois pode elaborar um projeto viável e, dessa forma, torna-se um grupo que opera mudanças.

 

GABARITO: (A) Teoria do Vínculo.

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