SÉRIE 180 QUESTÕES COMENTADAS DE PSICOLOGIA

QUESTÃO 106. (TJAM / 2013) A técnica de grupos operativos tem sido largamente utilizada no Brasil em várias áreas. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

 

(A) O grupo operativo pressupõe a tarefa explícita que o enquadre.

(B) O conceito de pertinência tem a ver com o sentimento de se sentir parte do grupo.

(C) A horizontalidade do grupo tem a ver com a soma das verticalidades dos participantes.

(D) Os papéis que emergem em um grupo, como bode‐expiatório ou porta‐voz, não se alternam.

(E) O líder de mudança surge quando um aspecto importante foi explicitado e contribui para o movimento dialético do grupo.

COMENTÁRIO

Vamos revisar cada um dos conceitos apresentados na questão, analisando cada assertiva a fim de identificarmos a alternativa correta.

 

(A) O grupo operativo pressupõe a tarefa explícita que o enquadre.

 

A técnica do grupo operativo pressupõe:

 

A tarefa explícita – aprendizagem, diagnóstico ou tratamento;

A tarefa implícita – o modo como cada integrante vivencia o grupo;

O enquadre – são os elementos fixos: o tempo, a duração, a frequência, a função do coordenador e do observador.

 

Assim, a alternativa está ERRADA, pois tarefa e enquadre são dois conceitos distintos na técnica de grupos operativos.

 

(B) O conceito de pertinência tem a ver com o sentimento de se sentir parte do grupo.

A técnica de Grupos Operativos conta com seis vetores que servem como pontos de referência para interpretação dos acontecimentos no campo grupal. Os vetores são dispositivos qualitativos que permitem analisar a relação entre conteúdos explícitos e implícitos do grupo (Pichon-Rivière, 1994):

 

Afiliação e pertença – afiliação ou identificação representa o primeiro momento da história do grupo, em que a pessoa guarda uma distância até se integrar ao grupo. Ao acontecer uma maior integração, a afiliação torna-se pertença, contribuindo para um mútuo reconhecimento resultando na melhoria de vínculos, consequentemente, aumentando o compromisso e a oportunidade grupal.

 

Cooperação – representa a articulação das necessidades grupais e individuais, tendo como base os papéis diferenciados que, em prol da operatividade do grupo, devem ser assumidos por diferentes pessoas, indicando um caráter flexível e interdisciplinar. Neste momento, é que se encontram a confrontação da verticalidade e horizontalidade no grupo, discriminando distinções e elucidando diferenças.

 

Pertinência – refere-se ao grau de ‘centramento’ do grupo na tarefa e, o quanto é capaz de esclarecer a mesma, de forma criativa e produtiva.

 

Comunicação – aqui abrange qualquer tipo de comunicação, com seus elementos essenciais (emissor, receptor, mensagens, codificação e decodificação). Indicador que avalia: os papéis e as características comunicacionais, metacomunicacionais (o conteúdo veiculado da mensagem, o como ela se realiza e quem o faz) e os ruídos; assim como, a elaboração das contradições e seus pares que representam possíveis obstáculos à elaboração de vínculos e de conhecimento.

 

Aprendizagem – é a mudança qualitativa do grupo e reflete o grau de plasticidade diante dos obstáculos, da resolução de ansiedade, adaptação ativa à realidade, criatividade, possibilidade de integração, superação de contradições. Assim, o grupo é capaz de elucidar seu próprio processo, em um espiral, acessando seu desenvolvimento, transformando dialeticamente quantidade em qualidade.

 

Tele – é um conteúdo implícito, representando os aspectos latentes da história dos sujeitos e do grupo. Significa distância e, como as pessoas ampliam ou diminuem as distâncias entre elas.

 

A alternativa está ERRADA, pois a definição apresentada diz respeito ao conceito de pertença.

 

(C) A horizontalidade do grupo tem a ver com a soma das verticalidades dos participantes.

 

Pichón desenvolveu os conceitos de verticalidade e horizontalidade através de sua experiência em atividades e análise de grupos (Baremblitt, 1986):

 

Verticalidade – trata da história pessoal de cada integrante, fazendo parte da determinação dos fenômenos no campo grupal. É a história dos grupos internos que constituem os fantasmas grupais, seus vínculos e formas de comunicação.

 

Horizontalidade – dimensão grupal atual, elementos que caracterizam o grupo. Diz respeito à situação vincular grupal, ou seja, a dinâmica grupal das histórias individuais dos diferentes membros que compõem o grupo.

A intersecção entre a verticalidade e a horizontalidade dá origem aos diferentes papéis que o indivíduo assume no grupo.

 

ERRADA – A verticalidade diz respeito à situação vincular grupal, ao modo como as histórias individuais interferem na dinâmica atual do grupo. A assertiva está errada, pois não se trata do mero somatório das verticalidades.

 

(D) Os papéis que emergem em um grupo, como bode‐expiatório ou porta‐voz, não se alternam.

 

CORRETA – Esta assertiva pode gerar grande confusão. PEGADINHA! Os papeis que emergem no grupo são sempre os mesmos, o que muda são os integrantes que assumem um ou outro papel a depender do momento grupal.       

 

Segundo Pichon são cinco os papéis que constituem um grupo (Silva, 2001):

 

  1. Líder de mudança - É aquele que leva a tarefa adiante, enfrenta conflitos e busca soluções, arrisca-se diante do novo.

  2. Líder de resistência (sabotador) - É aquele que puxa o grupo para trás, freia avanços, ele sabota as tarefas, levantando as melhores intenções de desenvolvê-las, mas poucas vezes cumpre. O sabotador conspira para a evolução e conclusão da tarefa podendo levar a segregação do grupo.

 

  1. Bode expiatório - É aquele que assume as culpas do grupo, o livrando dos conteúdos que provocam medo, ansiedade, etc.

 

  1. Representante do silêncio - É aquele que assume as dificuldades dos demais para estabelecer a comunicação, obrigando o resto do grupo a falar.

 

  1. Porta voz - É aquele que denuncia a enfermidade grupal, é ele quem denuncia as ansiedades do grupo, verbaliza os conflitos que estão latentes no grupo.

 

(E) O líder de mudança surge quando um aspecto importante foi explicitado e contribui para o movimento dialético do grupo.

 

INCOMPLETA – O líder de mudança surge quando um aspecto importante foi explicitado pelo porta-voz e aceito pelo grupo (Gayotto, 1992 apud Bastos, 2010). A partir deste momento inicial, o líder da mudança leva a tarefa adiante, enfrenta conflitos e busca soluções, contribuindo para o movimento dialético do grupo.

 

GABARITO: (D) Os papéis que emergem em um grupo, como bode‐expiatório ou porta‐voz, não se alternam.

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