SÉRIE 180 QUESTÕES COMENTADAS DE PSICOLOGIA

QUESTÃO 124 (TJRJ / 2012) Em se tratando da avaliação psicológica realizada no contexto forense é possível dizer que as entrevistas

 

(A) são idênticas àquelas realizadas no modelo clínico já que os objetivos e a metodologia são iguais.

(B) não devem pressupor situações ligadas à dissimulação e simulação do entrevistado.

(C) desconsideram informações e fatos ocorridos no passado focando apenas o momento presente da situação.

(D) não devem se prestar a confirmar a validade dos achados e dos próprios métodos utilizados.

(E) devem extrapolar o objetivo da investigação do mundo interno do avaliando, para valorizar, também, aspectos de sua realidade objetiva.

COMENTÁRIO

Antes de analisarmos as alternativas de resposta, devemos tecer algumas considerações sobre o processo de avaliação no contexto da perícia forense, sobretudo quanto à entrevista.

 

O psicólogo forense busca o esclarecimento de questões propostas pela situação de litígio judicial e deve adotar uma atitude de maior afastamento, ser mais objetivo e procurar manter a neutralidade. A preocupação mais imediata do psicólogo forense é quanto à validade das informações que recebe. A precisão das informações passa a ser uma questão fundamental para a qualidade do relatório final.

 

Conforme a especificidade de cada situação, o trabalho pericial poderá contemplar observações, entrevistas, visitas domiciliares e institucionais, aplicação de testes psicológicos, utilização de recursos lúdicos e outros instrumentos, métodos e técnicas reconhecidas pelo Conselho Federal de Psicologia (Rovinski, 2007; Resolução CFP n°008/2010). 

 

Quanto aos aspectos éticos, um dos tópicos que mais se destacam diz respeito à confidencialidade das informações. Tendo em vista que o psicólogo perito se encontra em situação de juízo, está o profissional compromissado em prestar ao juiz todas as informações pertinentes à questão legal.

 

Na situação de perícia psicológica, torna-se necessário o estabelecimento de um contrato, no qual os níveis de confidencialidade sejam esclarecidos e que seja assinado um consentimento informado, estando o periciando ciente de que as informações prestadas poderão ser incluídas no relatório que subsidiará o laudo.

 

Segundo Rovinski e Stein (2009), na área forense a entrevista psicológica pode estar relacionada a vários objetivos, dependendo da demanda jurídica a que estiver associada. Em geral, estas demandas versam sobre situações da vida real, como o cuidado dos filhos, quanto à capacidade laborativa ou outras situações que envolvam previsão de comportamentos e extrapolem questões exclusivamente voltadas para um diagnóstico clínico.

 

A entrevista no contexto de avaliação forense deve extrapolar o objetivo da investigação do mundo interno do avaliando, para valorizar, também, aspectos de sua realidade objetiva. No contexto forense a técnica de entrevista ultrapassaria a simples confirmação de hipóteses para buscar uma verdadeira testagem de hipóteses, onde o psicólogo deveria a todo o momento questionar a validade de seus próprios achados e dos próprios métodos utilizados (Rovinski e Stein, 2009; Rovinski, 2002).

 

É característica da avaliação forense que a coleta de dados não se restrinja ao discurso do periciado, mas que busque todas as fontes consideradas relevantes. É recomendada a solicitação de outros informes, obtidos junto a hospitais, escolas clínicas especializadas ou locais de trabalho. O psicólogo perito deve dar preferência a procedimentos padronizados, tais como entrevistas estruturadas e outras técnicas objetivas.

 

Vamos analisar cada uma das alternativas a fim de identificarmos a resposta para o enunciado da questão:

 

(A) são idênticas àquelas realizadas no modelo clínico já que os objetivos e a metodologia são iguais.

 

ERRADA – o objetivo da avaliação no contexto forense difere-se completamente do modelo clínico. A perícia forense busca o esclarecimento de questões propostas pela situação de litígio judicial e visa a responder questões quanto a: (1) quadros de "insanidade" mental; (2) competências para o exercício de funções de cidadão; (3) avaliação da incapacidade ou comprometimentos psicopatológicos que possam se relacionar com infrações da lei.

 

(B) não devem pressupor situações ligadas à dissimulação e simulação do entrevistado.

 

ERRADA – Segundo Rovinski e Stein (2009), os entrevistadores forenses lidam constantemente com a possibilidade de simulação ou dissimulação dos entrevistados, pois muitas vezes as pessoas em perícia distorcem ou omitem premeditadamente fatos importantes para o processo judicial.

 

(C) desconsideram informações e fatos ocorridos no passado focando apenas o momento presente da situação.

 

ERRADA – Sobre a entrevista no contexto forense, Köhnken (1995 apud Rovinski e Stein, 2009) salienta a necessidade de se recuperarem informações a respeito de fatos ocorridos no passado. 

 

(D) não devem se prestar a confirmar a validade dos achados e dos próprios métodos utilizados.

 

ERRADA – Conforme vimos, Rovinski e Stein (2009) propõem que o psicólogo forense deve a todo o momento questionar a validade de seus próprios achados e dos próprios métodos utilizados.

 

(E) devem extrapolar o objetivo da investigação do mundo interno do avaliando, para valorizar, também, aspectos de sua realidade objetiva.

 

CORRETA – Conforme vimos, Rovinski e Stein (2009) ensinam que a entrevista no contexto de avaliação forense deve extrapolar o objetivo da investigação do mundo interno do avaliando, para valorizar, também, aspectos de sua realidade objetiva.

 

GABARITO: (E) devem extrapolar o objetivo da investigação do mundo interno do avaliando, para valorizar, também, aspectos de sua realidade objetiva.

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