SÉRIE 180 QUESTÕES COMENTADAS DE PSICOLOGIA

QUESTÃO 152. (TJPE / 2012) A Resolução do Conselho Federal de Psicologia de número 007/2003 instituiu o Manual de documentos escritos produzidos por psicólogos. O relatório psicológico é

 

(A) um documento produzido pelo psicólogo no enquadre pericial judiciário e que deve obedecer os parâmetros científicos na elucidação dos termos técnicos.

(B) uma peça de natureza e valor científicos, devendo conter a narrativa detalhada e didática, com clareza, precisão e harmonia, tornando-se acessível e compreensível ao destinatário.

(C) um documento expedido pelo psicólogo que certifica uma determinada situação ou estado psicológico, tendo como finalidade afirmar sobre as condições psicopatológicas de quem, por requerimento, o solicita.

(D) similar ao atestado emitido por psicólogo, já que deve estar acompanhado das explicações e/ou conceituação retiradas dos fundamentos teórico-filosóficos que o sustentam.

(E) um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo.

COMENTÁRIO

O Relatório ou Laudo Psicológico é o tópico mais ALTAMENTE CONCURSÁVEL da Resolução CFP nº 007/2003. Tanto o conceito e a finalidade, quanto a estrutura são importantes. Leia, entenda, memorize!

 

O relatório ou laudo psicológico é uma apresentação descritiva acerca de situações e/ou condições psicológicas e suas determinações históricas, sociais, políticas e culturais, pesquisadas no processo de avaliação psicológica. Como todo DOCUMENTO, deve ser subsidiado em dados colhidos e analisados, à luz de um instrumental técnico (entrevistas, dinâmicas, testes psicológicos, observação, exame psíquico, intervenção verbal), consubstanciado em referencial técnico-filosófico e científico adotado pelo psicólogo.

 

A finalidade do relatório psicológico será a de apresentar os procedimentos e conclusões gerados pelo processo da avaliação psicológica, relatando sobre o encaminhamento, as intervenções, o diagnóstico, o prognóstico e evolução do caso, orientação e sugestão de projeto terapêutico, bem como, caso necessário, solicitação de acompanhamento psicológico, limitando-se a fornecer somente as informações necessárias relacionadas à demanda, solicitação ou petição.

 

Estrutura

 

O relatório psicológico é uma peça de natureza e valor científicos, devendo conter narrativa detalhada e didática, com clareza, precisão e harmonia, tornando-se acessível e compreensível ao destinatário. Os termos técnicos devem, portanto, estar acompanhados das explicações e/ou conceituação retiradas dos fundamentos teórico- filosóficos que os sustentam.

 

O relatório psicológico deve conter, no mínimo, 5 (cinco) itens: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão.

 

1. Identificação

2. Descrição da demanda

3. Procedimento

4. Análise

5. Conclusão

 

Identificação

 

É a parte superior do primeiro tópico do documento com a finalidade de identificar:

O autor/relator - quem elabora;

O interessado - quem solicita;

O assunto/finalidade - qual a razão/finalidade.

 

No identificador AUTOR/RELATOR, deverá ser colocado o(s) nome(s) do(s) psicólogo(s) que realizará(ão) a avaliação, com a(s) respectiva(s) inscrição(ões) no Conselho Regional.

 

No identificador INTERESSADO, o psicólogo indicará o nome do autor do pedido (se a solicitação foi da Justiça, se foi de empresas, entidades ou do cliente).

 

No identificador ASSUNTO, o psicólogo indicará a razão, o motivo do pedido (se para acompanhamento psicológico, prorrogação de prazo para acompanhamento ou outras razões pertinentes a uma avaliação psicológica).

 

  • Descrição da demanda

 

Esta parte é destinada à narração das informações referentes à problemática apresentada e dos motivos, razões e expectativas que produziram o pedido do documento. Nesta parte, deve-se apresentar a análise que se faz da demanda de forma a justificar o procedimento adotado.

 

  • Procedimento

 

A descrição do procedimento apresentará os recursos e instrumentos técnicos utilizados para coletar as informações (número de encontros, pessoas ouvidas etc) à luz do referencial teórico-filosófico que os embasa. O procedimento adotado deve ser pertinente para avaliar a complexidade do que está sendo demandado.

 

Análise

 

É a parte do documento na qual o psicólogo faz uma exposição descritiva de forma metódica, objetiva e fiel dos dados colhidos e das situações vividas relacionados à demanda em sua complexidade.

 

Como apresentado nos princípios técnicos, "O processo de avaliação psicológica deve considerar que os objetos deste procedimento (as questões de ordem psicológica) têm determinações históricas, sociais, econômicas e políticas, sendo as mesmas elementos constitutivos no processo de subjetivação. O DOCUMENTO, portanto, deve considerar a natureza dinâmica, não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo".

 

Nessa exposição, deve-se respeitar a fundamentação teórica que sustenta o instrumental técnico utilizado, bem como princípios éticos e as questões relativas ao sigilo das informações. Somente deve ser relatado o que for necessário para o esclarecimento do encaminhamento, como disposto no Código de Ética Profissional do Psicólogo.

 

O psicólogo, ainda nesta parte, não deve fazer afirmações sem sustentação em fatos e/ou teorias, devendo ter linguagem precisa, especialmente quando se referir a dados de natureza subjetiva, expressando-se de maneira clara e exata.

 

Conclusão

 

Na conclusão do documento, o psicólogo vai expor o resultado e/ou considerações a respeito de sua investigação a partir das referências que subsidiaram o trabalho. As considerações geradas pelo processo de avaliação psicológica devem transmitir ao solicitante a análise da demanda em sua complexidade e do processo de avaliação psicológica como um todo.

 

Vale ressaltar a importância de sugestões e projetos de trabalho que contemplem a complexidade das variáveis envolvidas durante todo o processo.

 

Após a narração conclusiva, o documento é encerrado, com indicação do local, data de emissão, assinatura do psicólogo e o seu número de inscrição no CRP.

 

Vamos a analisar cada uma das alternativas a fim de identificarmos a resposta a esta questão:

 

(A)  um documento produzido pelo psicólogo no enquadre pericial judiciário e que deve obedecer os parâmetros científicos na elucidação dos termos técnicos.

 

ERRADA – O relatório psicológico é um documento que tem por finalidade apresentar os procedimentos e conclusões gerados pelo processo de avaliação psicológica, devendo ser elaborado em diversos contextos e não apenas no enquadre judicial.

 

(B) uma peça de natureza e valor científicos, devendo conter a narrativa detalhada e didática, com clareza, precisão e harmonia, tornando-se acessível e compreensível ao destinatário.

 

CORRETA – Conforme vimos na revisão sobre o conceito e finalidade do relatório ou laudo psicológico, esta alternativa traz o texto literal disposto no manual anexo à resolução nº 007/2003.

 

(C) um documento expedido pelo psicólogo que certifica uma determinada situação ou estado psicológico, tendo como finalidade afirmar sobre as condições psicopatológicas de quem, por requerimento, o solicita.

 

ERRADA – Esta alternativa apresenta a descrição literal do conceito de atestado psicológico.

 

(D) similar ao atestado emitido por psicólogo, já que deve estar acompanhado das explicações e/ou conceituação retiradas dos fundamentos teórico-filosóficos que o sustentam.

 

ERRADA – A formulação do atestado deve restringir-se à informação solicitada pelo requerente, contendo expressamente o fato constatado e não se utiliza fundamentação teórica ou conceitos, diferente da estrutura exigida no relatório psicológico.

 

(E) um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo.

 

ERRADA – Esta alternativa apresenta o conceito de parecer psicológico.

 

GABARITO: (B) uma peça de natureza e valor científicos, devendo conter a narrativa detalhada e didática, com clareza, precisão e harmonia, tornando-se acessível e compreensível ao destinatário.

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