SÉRIE 180 QUESTÕES COMENTADAS DE PSICOLOGIA

QUESTÃO 30. (TJAL/2012) Acerca de teorias da personalidade e desenvolvimento, assinale a opção correta.

 

A. O desenvolvimento saudável, segundo Winnicott, está relacionado a um ambiente capaz de atender, em determinados momentos, as necessidades particulares do indivíduo potencial em cada período de seu amadurecimento. Se o ambiente falhar no atendimento básico ao indivíduo, surge, assim, uma agonia imensa, contra a qual o infans não consegue se organizar defensivamente.

B. O aparelho psíquico é dividido em três instâncias independentes — inconsciente, pré-consciente e consciente — de acordo com a primeira tópica freudiana. A primeira instância corresponde às moções pulsionais, a segunda é responsável pelas lembranças encobridoras, que podem ser acessadas facilmente, e a terceira instância, o consciente, é atuante na realidade e mediador entre os impulsos sexuais e as normas.

C. De acordo com behaviorismo, o comportamento pode ser analisado por métodos científicos, naturais e objetivos. Como modelo, é possível citar o condicionamento clássico, proposto por Skinner, por exemplo, um som de sineta seguido, repetidas vezes, por um estímulo, como algum alimento, pode provocar, posteriormente, resposta (salivação) apenas com a presença da sineta.

D. Segundo Carl Rogers, o ser humano é único e inconsciente, capaz de encontrar em si mesmo a autoatualização, assim como os próprios recursos para mudança e crescimento pessoal.

E. Segundo Lacan, o Outro exerce um papel fundamental na formação do Eu. O Outro é tido como o tesouro dos significantes e a imagem do Eu, constituída pelo Outro. Dessa maneira, poder-se-ia afirmar que o desejo do infans seria o desejo do Outro.

COMENTÁRIO

Esta é uma questão difícil, pois exige conhecimentos teóricos de abordagens bastante diversas. A resolução deste quesito nos dará um pouco de trabalho, pois a única maneira de solucioná-lo é analisando cada assertiva. Com sorte, identificaremos rapidamente os erros em cada alternativa. Vamos lá?

 

A. O desenvolvimento saudável, segundo Winnicott, está relacionado a um ambiente capaz de atender, em determinados momentos, as necessidades particulares do indivíduo potencial em cada período de seu amadurecimento. Se o ambiente falhar no atendimento básico ao indivíduo, surge, assim, uma agonia imensa, contra a qual o infans não consegue se organizar defensivamente.

 

Existe algo chamado por Winnicott de ambiente não suficientemente bom, que distorce o desenvolvimento do bebê, assim como existe o ambiente suficientemente bom, que possibilita ao bebê alcançar, a cada etapa, as satisfações, ansiedades e conflitos inatos e pertinentes.

 

Ao prestar todos os cuidados físicos e psicológicos necessários ao seu desenvolvimento, a mãe atua como ego auxiliar do bebê.

 

Este cuidado deve atender às mudanças instantâneas do dia-a-dia que fazem parte do desenvolvimento físico e psicológico da criança, permitindo a emergência do bebê como uma pessoa individual que se relaciona com outras pessoas separadas dele.

 

Quando não há um ambiente favorável, o indivíduo não tem como se desenvolver e atualizar suas tendências, e pode se tornar psicótico.

 

ASSERTIVA INCORRETA. Você consegue perceber o que há de errado nesta assertiva? Muitas pessoas deixarão passar este detalhe, mas há na assertiva um trecho que vai totalmente contra a teoria: a expressão “em determinados momentos”. Winnicott considera que nos primeiros meses de vida a criança precisa receber cuidados constantes, de forma estável, sempre que for necessário. Caso o ambiente forneça cuidados apenas “em determinados momentos”, a criança não poderá desenvolver-se adequadamente.

 

B. O aparelho psíquico é dividido em três instâncias independentes — inconsciente, pré-consciente e consciente — de acordo com a primeira tópica freudiana. A primeira instância corresponde às moções pulsionais, a segunda é responsável pelas lembranças encobridoras, que podem ser acessadas facilmente, e a terceira instância, o consciente, é atuante na realidade e mediador entre os impulsos sexuais e as normas.

 

Esta alternativa corresponde à teoria topográfica da personalidade, descrita por Freud na primeira tópica. Neste modelo, a mente é constituída por três sistemas: o consciente (Cs), o pré-consciente (Pcs) e o inconsciente (Ics).

 

Vamos analisar cada instância descrita pela questão:

 

Inconsciente – corresponde às moções pulsionais – CORRETA.

 

Pré-consciente – lembranças encobridoras, que podem ser acessadas facilmente.

 

INCORRETA – As lembranças encobridoras ocorrem por um processo inconsciente que visa mascarar eventos através de mecanismos típicos dos sonhos – a omissão, a substituição e fusão de personagens e de eventos através do recalque.

 

Consciente – atuante na realidade e mediador entre os impulsos sexuais e as normas –

CORRETA.

 

Tendo em vista que o trecho que versa sobre as lembranças encobridoras está errado, então esta alternativa está INCORRETA.

 

C. De acordo com behaviorismo, o comportamento pode ser analisado por métodos científicos, naturais e objetivos. Como modelo, é possível citar o condicionamento clássico, proposto por Skinner, por exemplo, um som de sineta seguido, repetidas vezes, por um estímulo, como algum alimento, pode provocar, posteriormente, resposta (salivação) apenas com a presença da sineta.

 

A assertiva está INCORRETA, pois o conceito de CONDICIONAMENTO CLÁSSICO ou RESPONDENTE foi proposto por Ivan Pavlov. 

 

D. Segundo Carl Rogers, o ser humano é único e inconsciente, capaz de encontrar em si mesmo a autoatualização, assim como os próprios recursos para mudança e crescimento pessoal.

 

Rogers está interessado na percepção, na tomada de consciência e na experiência. A abordagem rogeriana sugere que em cada pessoa há um impulso inerente em direção a tornar-se tão competente e capaz quanto o que se está apto a ser biologicamente. Esta tendência é parte do processo de todas as coisas vivas.

 

Esta alternativa está INCORRETA, pois afirma que o ser humano é inconsciente. Veja onde a banca tentou incutir-lhe a dúvida! O fato de Rogers propor uma tomada de consciência não significa que as pessoas sejam inconscientes, mas que possuem um potencial inato para o desenvolvimento que pode ser intencionalmente direcionado.

 

E. Segundo Lacan, o Outro exerce um papel fundamental na formação do Eu. O Outro é tido como o tesouro dos significantes e a imagem do Eu, constituída pelo Outro. Dessa maneira, poder-se-ia afirmar que o desejo do infans seria o desejo do Outro.

 

Esta alternativa nos traz uma sequência de assertivas que deveremos analisar cuidadosamente a fim de averiguarmos sua correição. Vejamos:

 

O Outro exerce um papel fundamental na formação do Eu.

 

No primeiro tempo lógico o Outro é a mãe, pois o agente materno toma o bebê em uma posição de desejante e, ao cuidar dele, faz de si mesma o instrumento da vivência de satisfação do bebê. Este significante inicial atribuído pela mãe vai marcar a identidade do sujeito e seu desenvolvimento mental.

 

No segundo tempo lógico ocorre a instauração do Nome-do-Pai que vem barrar o Outro onipotente e absoluto, inaugurando a entrada da criança na ordem simbólica através da castração. A experiência basilar para a criança é, justamente, descobrir que a mãe não tem o falo, ou seja, é a experiência do falo enquanto ausência, falta. A partir da Lei da castração introduzida pelo pai, o sujeito se constitui enquanto ser faltante.

 

Lacan distinguiu e grafou diferenciadamente o pequeno e o grande Outro. O pequeno outro (a) é o igual, o semelhante da espécie humana. O grande Outro representa o campo simbólico, da linguagem - grafado com letra maiúscula e com barra (Ⱥ). Este grande Outro é inscrito como barrado ou castrado, justamente, por se caracterizar como faltante. 

 

O Outro é tido como o tesouro dos significantes.

 

No Seminário V Lacan utilizou a expressão 'tesouro dos significantes' para designar o grande Outro. Entende-se como tesouro algo que possui um valor, sempre atrelado a uma referência externa a ele. Neste contexto, os significantes sempre estão atrelados uns aos outros como um conjunto vinculado a uma significação. Para que o sujeito seja organizado pela lógica dos significantes, ele deve entrar no mundo simbólico em que as palavras substituem as coisas, a partir de sua posição adotada em relação à linguagem, quer dizer, como uma estrutura remetida ao Outro.

 

CORRETA

 

A imagem do Eu é constituída pelo Outro.

 

Na teoria lacaniana o sujeito é compreendido como efeito da significação de um significante para outro significante, a partir de sua posição adotada em relação à linguagem, quer dizer, como uma estrutura remetida ao Outro.

 

Vamos simplificar? O modo como nos relacionamos com os objetos e com cada pessoa é psiquicamente representado enquanto significante, atrelado ao nosso significante inicial (atribuído pela mãe), deslizando numa sequência lógica de significações. Deste modo, o sujeito só pode ser compreendido desde sua posição frente ao outro e adquire os seus significantes a partir da fala das pessoas que ocupam o lugar do Outro.

 

CORRETA

 

O desejo do infans seria o desejo do Outro.

 

Conforme vimos, no início da vida a criança experimenta uma relação de total completude e simbiose com a mãe. Com a instauração da lei pelo Nome-do-pai, a criança percebe que a mãe deseja outras coisas, representadas pelo falo. Frente a esta descoberta de incompletude da mãe, a criança deseja colocar-se no lugar deste falo.

 

Lembre-se que o primeiro representante do Outro é a mãe, quando a criança é inserida na linguagem as representações do outro vão sendo ampliadas através da agregação do discurso de outras pessoas que vão ocupando este lugar. A lógica existente nesta assertiva é que, se a criança deseja ser o objeto de desejo da mãe; considerando que a criança entende que o objeto de desejo da mãe é o Outro; então, a criança deseja aquilo que ela entende ser o desejo do Outro.

 

CORRETA

 

GABARITO: (E) Segundo Lacan, o Outro exerce um papel fundamental na formação do Eu. O Outro é tido como o tesouro dos significantes e a imagem do Eu, constituída pelo Outro. Dessa maneira, poder-se-ia afirmar que o desejo do infans seria o desejo do Outro.

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