SÉRIE 180 QUESTÕES COMENTADAS DE PSICOLOGIA

QUESTÃO 91. (TJPE/2011) A terapia cognitiva emprega técnicas cognitivas e comportamentais cuja escolha deve ser feita a partir da conceitualização cognitiva de cada caso. A técnica utilizada quando uma das distorções predominantes é o pensamento dicotômico; em que o terapeuta constrói um gráfico linear de 0 a 100% para a característica avaliada, em termos de tudo ou nada; na qual o terapeuta solicita que o paciente compare seu desempenho com o de outros indivíduos, posicionando-se no gráfico, corresponde à técnica denominada

 

(A) técnica da seta descendente.

(B) registros de pensamentos disfuncionais (RPD).

(C) identificação de distorções cognitivas.

(D) técnica do gráfico em forma de pizza.

(E) continuum cognitivo.

COMENTÁRIO

Inicialmente, devemos destacar o comando da questão:

 

  • Técnica utilizada quando uma das distorções predominantes é o pensamento dicotômico;

  • O terapeuta constrói um gráfico linear de 0 a 100% para a característica avaliada em termos de tudo ou nada;

  • O terapeuta solicita que o paciente compare seu desempenho com o de outros indivíduos, posicionando-se no gráfico.

 

Vamos revisar as técnicas apresentadas em cada alternativa, a fim de identificarmos qual corresponde ao solicitado na questão.

 

 

TÉCNICA DA SETA DESCENDENTE

 

A Técnica da Flecha ou Seta Descendente consiste no questionamento sucessivo sobre o significado de uma determinada cognição até alcançar o seu significado mais central. A narrativa do paciente é questionada quanto ao seu significado, identificando-se a cadeia de pensamentos, a partir de um pensamento específico inicial. 

 

Esta técnica permite ao indivíduo a tomada de consciência sobre sua cadeia de pensamentos, possibilitando verificar como esta conduz a conclusões equivocadas e reforça antigas suposições que não são necessariamente corretas (Dattilio, 2011).

 

REGISTROS DE PENSAMENTOS DISFUNCIONAIS (RPD)

 

Nesta técnica, é construído um quadro em que o cliente deverá realizar anotações, sempre que experimentar uma emoção desagradável, permitindo a identificação dos pensamentos e emoções do cliente, em situações perturbadoras e para sua posterior reestruturação (Lima, 2013).

 

  1. Dia/hora – registrar o momento em que lhe ocorreu a emoção desagradável.

 

  1. Situação – descrever:

 

(1) o que está acontecendo que pode ter levado a esta emoção;

(2) a corrente de pensamento, devaneio ou lembrança que possa ter levado à emoção.

 

  1. Sentimentos – a pessoa deve:

 

(1) especificar a emoção (tristeza, ansiedade, raiva, etc.);

(2) assinalar a intensidade da emoção em uma escala de 0 a 100.

 

  1. Pensamentos automáticos – a pessoa deve:

 

(1) anotar os pensamentos da forma como apareceram na mente;

(2) indicar o grau de convicção para cada pensamento em uma escala de 0 a 100.

 

  1. Resposta racional – contestar racionalmente cada pensamento, através das seguintes perguntas:

 

  1. Que provas eu tenho da verdade deste pensamento?

  2. Há outras possibilidades para eu compreender esta situação?

  3. O que é o pior que poderia acontecer? Eu poderia superar? Qual o melhor que poderia acontecer? Entre estes dois extremos, qual o resultado mais provável e realista?

  4. Se um amigo ou amiga tivesse estes pensamentos, o que você lhe diria?

  5. O que você deveria fazer? Feito isto a pessoa deverá:

 

(1) anotar cada resposta racional para os pensamentos registrados;

(2) avaliar o grau de convicção em cada resposta racional em uma escala de 0 a 100.

 

  1. Reavaliação – a pessoa deve:

 

(1) reavaliar o grau de convicção em cada pensamento automático (PA = 0 a 100);

(2) reavaliar a intensidade de cada emoção.

 

Inicialmente, a pessoa é orientada a preencher apenas os quatro primeiros tópicos do quadro. Somente após o cliente ter compreendido bem as primeiras quatro colunas, são inseridas as duas últimas que permitem a modificação do pensamento e da emoção.

 

IDENTIFICAÇÃO DE DISTORÇÕES COGNITIVAS

 

As distorções cognitivas são formas de pensar desvirtuadas da realidade, padronizadas pelos eventos da vida e que geram grande sofrimento. Beck (1997) identificou que pessoas com transtornos emocionais apresentam equívocos característicos na lógica dos pensamentos automáticos e outras cognições. Os esquemas mal adaptativos distorcem a realidade para que esta se torne condizente com as crenças centrais de desamparo, desamor e desvalor (Lima, 2013).

 

A partir da análise de cada um dos níveis de organização cognitiva, são utilizadas técnicas cognitivas que buscam testar os pensamentos automáticos e substituir as distorções cognitivas. As crenças são testadas por meio de argumentos e propostas de exercícios que o paciente realiza durante as sessões de terapia e em outros contextos (Shinohara, 1997).

 

TÉCNICA DO GRÁFICO EM FORMA DE PIZZA

 

O gráfico em forma de pizza é uma estratégia utilizada em conjunto com outras técnicas e visa auxiliar o paciente a ter uma visão multidimensional da situação. Neste gráfico são representados os fatores associados à situação que está sendo analisada e o percentual de contribuição/importância de cada um deles para o quadro geral.

 

CONTINUUM COGNITIVO

 

O continuum cognitivo é uma técnica que pode auxiliar muito na modificação de pensamentos polarizados.

 

No pensamento dicotômico ou polarizado (do tipo tudo ou nada) os julgamentos sobre si mesmo, as experiências pessoais ou com os outros são separados em duas categorias, como certo ou errado, sucesso ou fracasso, não vendo as coisas dentro de um continuum (Lima, 2013).

 

A técnica consiste em:

 

  1. Construir uma linha contínua que vai de um extremo ao outro (de 0 a 100%);

  2. Solicitar ao paciente que especifique as características de cada extremo;

  3. Solicitar ao paciente que se localize neste continuum.

 

GABARITO: (E) continuum cognitivo.

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